Dentre as aplicações mais buscadas ao se instituir um serviço de Data Quality é, sem dúvida, a prevenção de fraudes. A fraude é sem dúvida, um ponto de atenção para grandes corporações no mundo todo. Uma base dados de alta qualidade, torna-se o motor e a base para criação de um sistema anti-fraude impecável.

Tem crescido no mundo inteiro (no Brasil os números são de dificil acesso, quando sequer existem) uma fraude, bastante, tradicional: a apropriação da identidade de falecidos. Segundo a ACFE (Association of Certification Fraud Examiners) este número cresce por volta de 12% ao ano (não há indicadores para o Brasil).

No que consiste esta fraude? Simples. Imagine um cidadão de bem, que trabalhou toda uma vida. Constituiu família, um cadastro positivo em diversas instituições, bens móveis e imóveis. Quando, de repente, na plenitude de sua vida, vem a óbito aos 50 anos de idade. A família aturdida e as instituições que mal tomam conta dos cidadãos vivos, quem dirá dos mortos.

Reside aí um campo fértil para os fraudadores que tem um intrincada rede de informantes em hospitais, dentre outras, repartições públicas.

Entre o efetivo falecimento, emissão da certidão de óbito e sua disponibilização, e, providências dos familiares junto aos órgãos e repartições (cartórios, bancos, cartões de crédito, INSS, inventário, etc) existe uma linha de tempo fundamental para que as corporações precisam se precaver, e, os fraudadores tem além do tempo, a morosidade e a incompetência do Estado aliados à comoção da família, tudo, ao seu favor.

Dentre as principais e mais comuns fraudes: emissão de cartão de crédito, financiamento bancário, clone de identidade, aquisição de bens, etc. Apenas para listar algumas. E todas com poder de causar perdas. Toda sorte de segmento, tamanho e tipo de empresa pode ser atingida por este tipo de crime.

Nos Estados Unidos, por exemplo, a SSA (Social Security Administration) o INSS que funciona, mantém o DMF (Death Master File ou Arquivo Mestre de Mortes). Este arquivo é utilizado como base para enriquecimento do DQ, criando um Death Index, ou Índice de Mortes.

No Brasil, é muito dificil obter este tipo de informação junto às “autoridades”. Uma excepcional iniciativa por aqui é o CNF – Cadastro Nacional de Falecidos, mantido com informações diversas, muitas delas fornecidas por funerárias e cemitérios associados, e, até por parentes do falecido(a). Em agosto/2014 contava com mais de 13.5 milhões de cadastros. Outra forma, é utilizar o cadastro do SERASA (dentre outros), que também sofre da mesma síndrome: tempo de atualização.

A informação do CNF não é “real-time” como se proteger? Por sorte, os fraudadores daqui não são tão sofisticados nem tão informados como os de lá. Então, utilizar do enriquecimento de cadastros como o CNF e SERASA, são suficientes para coibir boa parte das tentativas de fraude baseada no roubo de identidade de falecidos.

Mas, o estabelecimento do Death Index é importante, somente, para se evitar fraudes? A resposta é NÃO.

Campanhas de marketing e ações de vendas, fora de hora e de propósito, podem ser desastrosas para a imagem de qualquer empresa. Imagine por exemplo, criar uma bela campanha de marketing, bem elaborada, com belo material, e, entregar por “courier” na casa de um recém falecido. Como a família receberia este material? Explorar este assunto me apetece, então, use sua criatividade para imaginar quantas milhares de outras situações embaraçosas poderiam ser criadas (ou melhor, evitadas).

Portanto, marcar seus prospects, clientes, prestadores, fornecedores, e outras pessoas como “falecidos” é uma excelente providência. O mesmo se aplica, tanto à pessoas físicas quanto jurídicas.

Ressalva importante: Marcar sim! Apagar jamais! Pois, esta pessoa pode vir a ser inserida na base de dados do DQ (vou evitar MDM aqui, pois cada dia mais usa-se o DQ sem MDM) novamente, via um portal web por um fraudador, ou, tentando tomar um serviço por exemplo.

Ressalva muitíssimo importante: Cuidado para não marcar homônimos incorretamente, ajuste bem seus algoritmos de desambiguação de pessoas.